Quinta-feira, 17 de Fevereiro de 2005

DO CIRCO PARA O LEME

Ousaram um dia, talvez para entreter, colocar um qualquer personagem circense, ao comando de um navio que, para alcance de melhor sorte, o comandante de serviço o deixou à deriva. Má onda. Má representação.


1. O Enleio
Nos últimos dias, e de forma progressiva, temos assistido ao célebre trânsito de solavanco reiterado, bem característico da gestão e da condução da campanha do PPD/PSD, enriquecido por manobras de diversão e de invocações a entidades e juízos superiores, porém, e felizmente, sem o implorado e esperado deferimento.
Esta singular e precária sinuosidade, tem assumido uma tal celebridade tendo perdido a perplexidade que merecia, em virtude de gradual, rápida e facilmente ser adivinhada e, por isso, ignorada, pondo termo ao esplendor esperado que o espectáculo a ela inerente teria.
Com efeito, foi essa marcha confusa e irregular, imprimida na (des)coordenação do XVI Governo da República Portuguesa, que ditou a queda do pano e fim do espectáculo, que aliás se revelou muito mau e sem glória.
A atrapalhada forma de agir mal, repetidamente, reagir pior e, amiúde, corrigir pessimamente, não só produziu um mau espectáculo como prejudicou a plateia, ou seja, quem pagou a sessão. Por sorte, nossa, não passou da estreia e só foi uma matiné.
Em estado de nervos e afogado num angustiante desespero, tem-se assistido ao recurso a todo o tipo de conteúdos, de formas, de métodos, segundo e seguindo um estilo americanizado e, em paralelo, ao ofegante e sofrido apelo a históricos vencedores, bastiões, barões e guardiães, como se de ninfas e deuses de uma qualquer mitologia ida se tratassem. Enfim, tudo aceitável quando alguém só esteve uma vez em cada sítio e saiu a meio, ou quando se coloca um qualquer artista circense ao comando de um navio de grande porte.


2. O Desenleio
O continuado pedido de desculpas, o ‘diz-que-não-disse’ e a revelação e exploração da impensada perspectiva colateral, assume-se como que o derradeiro desejo e ensejo de encontrar a ponta do fio da meada e libertar o triste corpo do aperto em que se introduz constantemente na sequência de um qualquer ininterrupto e afeiçoado ritual de auto-flagelo.
Todavia, e obviamente, as ajudas começam a ser pontuais, em virtude do descrédito a que o agoirento chegou. Naturalmente que, se insistidamente e por puro prazer, após auxílio o auxiliado torna a cair no erro, então há que deixá-lo prosseguir. Só um maníaco que goste desse astroso espectáculo talvez salte para o palco para ajudar à festa, ou que esteja habituado a outros carnavais.
Entretanto, num autêntico calvário lá vai um demissionário e demitido, arrastando-se e sofrendo com o apertar da corda, como que de um silício da Opus Dei se tratasse ou de outro qualquer corporativo e fanático ritual, aguentando a dor que o chumbo e as balas, entretanto perpetrados nos pés, provocam, sempre agindo, reagindo e corrigindo passos dados fora de tom e para além do risco, e laços em que se emaranha, sempre que se mexe, bafeja ou medita.


3. O epílogo
Falta pouco. Apenas mais um dia de tortura. O artista vai sair de cena.
Outro evento deve iniciar-se. Tudo parece assim se proporcionar. Mais rigor, mais sobriedade, melhor desempenho. Um tempo melhor. Eu acredito.
E a ‘plateia’, assim o merece. Esta mesma plateia que assistiu ao espectáculo enfadonho e curto no calendário mas moroso nas nossas mentes, promovido por um Partido Sem Direcção coadjuvado por um Clube De Sonsos, que ousaram sustentar um líder colado a cuspo, com uma performance característica de um anarquista a quem um dia confiaram um Governo.


E confuso com o guião e em manifesto desespero, a plateia aproveita a deixa e dia 20 dirá: «Pedro Sai Dai / Corre Depressa Santana. GAME OVER »


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
Penso, blog existo!
Estarei certo?


Victor Santos
vics@sapo.pt

cogitado por vics às 20:15
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