Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2005

O RASTO DA CONTENDA

O nevoeiro após dissipado revelará uma erguida ponta de lança sobre outro material bélico e cabeças que certamente estarão no solo.


1. Os guerreiros
De onde vieram? quem são? quem os escolheu? quem apostou neles?
Objecto de uma sucessão dinástica à frente das suas tropas (do PPD-PSD), Pedro Santana Lopes, foi o homem que tutelou o governo constitucional mais breve da história da República Portuguesa. Mais que isso. Deixou bem vincada a sua passagem por São Bento, onde imprimiu um estilo bem enredado e resolvido e suportado em joelhos trémulos, com muito show-off e desfasado de equilíbrio e sobriedade.
No PS colocado em congresso antecipado em virtude da assumptível e irrefutável demissão de Eduardo Ferro Rodrigues , foi eleito, com larga maioria e após rebatida campanha interna, José Socrates, engenheiro, a quem se reconhece competência e rigor. E sobretudo coragem, porquanto se propõe a Primeiro-Ministro num tempo absolutamente difícil.
No CDS-PP mantém-se o dirigente que ganhou a cadeira a Manuel Monteiro e que saiu vencedor na batalha interna que travou com Maria José Nogueira Pinto. A sua matreirice leva-nos a considerar que se trata de um peixe que se mexe bem na água e, isto é, no mar. Como uma lapa segurou-se a um ‘cherne’ e depois a um ‘carapau-de-corrida’, tendo como contrapartida a "gestão" de algumas águas. Depois, de forma surpreendente e sorrateira ignorou a aflição do parceiro e não tomou parte do sofrimento daquele, aliás nem deu conta de tal.
Seja comunista ortodoxo, cassete afónica ou marioneta mímica de um qualquer grupo corporativo carente de democracia interna, Jerónimo de Sousa, eleito por imposição, chegou à liderança do PCP e tem conseguido fazê-lo sobreviver a um tempo menos próprio para o comunismo rígido. Por força sua ou com ajuda dela, o que é certo é que, os ditos renovadores ficaram com menos voz do que o novo secretário-geral que se viu afónico no momento em que era esperado ser ouvido.
Francisco Louçã, líder de uma espécie de confederação de pequenos partidos, acaba por personificar o espírito interno, porquanto, de entre os lideres dos partidos com acento parlamentar, é o único candidato a deputado. Ou seja, não se candidata a funções executivas. Não se compromete com a execução das suas propostas, apenas e só a reafirmar a sua defesa, em sede parlamentar.
Garcia Pereira, à esquerda e Manuel Monteiro, à direita, são dois homens em igualdade de circunstâncias. Querem ganhar uma cadeira em São Bento e conseguiram convencer um grupo de alienados de que isso é muito bom.


2. As armas e o confronto
Se por um lado, o admitido maior e melhor exército se revela conhecedor do território que pretende conquistar e se propõe intervir implementando uma estratégia de crescimento para a próxima década, novas políticas sociais, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável, qualidade da democracia, cidadania, justiça e segurança, e melhorar a posição de Portugal na Europa e no mundo, o seu principal adversário prepara e desfere, desprovidos de qualquer harmonia, golpes baixos e pouco adequados ao confronto que se agendou.
Com efeito, esse entendido segundo exército, que coordena até hoje o território em disputa, partiu para o confronto sem estratégia, com um general imposto – e aceite para que não se rejeitasse a dinastia –, e mais, sem ter contado espingardas. Ou seja, virtualmente tem todos os seus militares e mais alguns outros exércitos e também tem claque, e efectivamente, nem os seus militares tem. É que uns já passaram à reserva e não vestem o uniforme para amparar o novo general. Outros exércitos? Talvez não.
Repare-se que o outro exército que também estava por conta de parte do território, vestiu a farda de gala, abriu as portas da sua parte, mostrou os resultados da sua parte, dissociando-se em absoluto daquele general.
Por seu turno, o exército dos cacetes, vulgo k7, com novo general, sem ninguém lhe ter dado interesse, lá tem vindo ganhando terreno, desferindo rijas setas aos senhores que estão e acenos de aproximação e reptos de orientação ao senhor que se segue.
Outro exército se propõe fazer conquistas é uma espécie de milícia ou guerrilha de fardas distintas e de boinas iguais que, sem querer coordenar querem reforçar a voz, atacam tudo e todos, mas se for preciso ajudam, com cuidado, o senhor que se segue a ganhar o território e a prosseguir os seus objectivos.
Um desalinhado e despromovido general de um exército agora é Coronel de outro, através do qual, disparando para o exército que antes dirigiu, quer apenas uma cadeira para descansar.
Ao contrário da acidez que o nome revela, o desconhecido, inofensivo e minúsculo, portanto, básico, PH (Partido Humanista) ostenta um arco com cinco fechas: os Direitos Humanos, a Democracia real, o Desenvolvimento cooperativo, a Ecologia e a Não violência.
Outro minúsculo e revoltado pelas novas regras impostas que impedem a participação e manutenção dos exércitos com menos de 5 mil militares, o foneticamente relacionado com uma espécie de vurmo POUS (Partido Operário de Unidade Socialista) desfere duas farpas, o “Não à Constituição Europeia” e o “Sim à defesa e retoma das conquistas do 25 de Abril”.
Por fim, o não menos subtil e sem rosto PNR (Partido Nacional Renovador), não olha ao tamanho do seu exército e ataca todos – PS, PPD/PSD, CDS, CDU e a muito custo, conseguem escrever e dizer BE, que apelidam de extrema esquerda –, acusando-os de nos últimos 30 anos terem destruído Portugal, revelando uma clara desolação face ao 25 de Abril e a tudo o que este trouxe.


3. O dia depois
Torna-se importante saber como vai ser, depois de apurados os resultados e encontrados os novos ‘donos’ das cadeiras parlamentares. Pedro fará o que exigiu que José fizesse no caso de perder as eleições? E Paulo, se não alcançar os 10%, tendo-se comportado como Judas, será que terá a sorte que aquele discípulo teve? Jerónimo colaborará em sede parlamentar como assim o foi afirmando? Manuel não conseguindo a cadeira almejada voltará a insistir? E Garcia, deixará a 'bengala' PCTP-MRPP?


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
Penso, blog existo!
Estarei certo?


Victor Santos
vics@sapo.pt

cogitado por vics às 13:30
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