Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Moções Por Portas às Avessas

Os escassos 8,37% de votos que o CDS-PP obteve dos cidadãos votantes do passado dia 7 de Junho, foram suficientes para ‘dar força’ àquele partido minoritário no Parlamento para apresentar uma moção de censura ao Governo.

A moção de censura é uma iniciativa parlamentar com o intuito de derrotar ou constranger o Governo, sendo que quando a proposta é aprovada – ou quando o Governo não consegue aprovar uma contraproposta, esta enquanto ‘moção de confiança’ – é obrigado a renunciar ou a pedir ao Presidente da República a dissolução do Parlamento.
Porém, as moções de censura, no ordenamento jurídico e no contexto do sistema democrático que temos em Portugal, deve incidir sobre a execução do programa do Governo ou sobre assunto de relevante interesse nacional.
Registe-se ainda que no caso de renúncia do Governo, o Parlamento mantém-se em funções e caberá apenas encontrar-se solução para o Executivo, no caso da dissolução parte-se para eleições legislativas antecipadas.
Não se sabe quais são as motivações do CDS-PP e do PPD/PSD – com 31,69 % dos votos nas Europeias últimas, ou seja 2,8 dos 10 milhões de portugueses –, que logo acorreu em auxílio da referida moção.
Certamente, serão os mesmos objectivos delineados pelo líder do mesmo ‘partido do táxi’ que aquando do anúncio do cabeça de lista às Europeias pediu um cartão vermelho ao Governo. Então e a Europa!?
Então e a Europa!?
Então e a Europa!? Pergunta-se! Ou serão os objectivos que o seu irmão - mas esse mais virado à esquerda parlamentar -, apelou aos professores, aos polícias, aos desempregados e a outros 'descontentes', para irem contra-governo e votarem no seu partido e em si, para a Europa.
Convenhamos! Permitam!
Qual é a atribuição do Parlamento Europeu sobre o Governo da República Portuguesa, com efeitos na sua manutenção em funções, ou qual é a competência conferida aos senhores eurodeputados sobre a mesma matéria? Creio que nenhuma. Terá sido apenas o aproveito do ensejo, presumo.
Não podemos descurar que, não obstante a legitimidade dos votos e, subsequentemente dos eleitos, os votantes foram apenas 37,03 % dos eleitores, logo os 8,37% do partido proponente da moção de censura equivalem a cerca de 278.000 habitantes, ou seja aproximadamente 3% da população portuguesa.
Não podemos também descurar que na génese da moção do CDS-PP não estará em causa o não cumprimento do Programa do Governo, nem tampouco o interesse nacional. Aliás, em nada interessa ao país, talvez e apenas à partidarite de política menor.
Atendamos que a conjuntura mundial não é favorável, a crise ainda não se dissipou, o Governo tem uma tarefa difícil pela frente. A atitude reformista é essencial e há sacrifícios que têm, enevitavelmente, que ser feitos. A título de exemplo se não tivesse havido um ataque ao deficit, não estaríamos apenas aqui, o fosso seria mais fundo. Mais: Não deverão os professores ser avaliados? Então podemos lá aceitar que há mais de 30 anos andemos a ver alunos fugir ao monstro da matemática e ao abominável Português? Não deverá prosseguir-se com o investimento público? Então se não forem as entidades públicas a intervir quem é que o fará no actual contexto económico? Então se não avançarmos agora com projectos estruturantes como é o caso do TGV e do Aeroporto, que podemos ter financiamento comunitário, quando é que podemos concretizá-los? Quando estivermos sozinhos? Só com nosso investimento? Será viável?
Sinceramente, creio que o problema actual do Governo e da sua imagem não está na letra, somente na música.
Ao CDS-PP e à sua moção, sinceramente, oxalá fosse possível e esta farpa lhes saísse pela culatra!
cogitado por vics às 20:59
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Dividir o Povo para reinar em Bruxelas

No passado dia 7 de Junho, tal como se perspectivara, a maior parte da população não exerceu o dever cívico, nem gozou o direito de cidadania, materializado na acção de votar.

As Eleições Europeias de 2009 deixam-nos, de entre os vitoriosos – todos: os superlativos, os relativos, os especulativos, os putativos, excepto os efectivos, porque afinal, ninguém ganhou com isto, e ainda, os alienados – uma conclusão: aquele que obteve o lugar cimeiro foi a senhora ‘abstenção’. E o mais interessante é que não surpreendeu ninguém. Pois esse sentido terá sido deslocado quase em exclusividade, pelos mais atentos, para a grandeza dos votos brancos e dos votos nulos. Se o nulo é apenas o manifesto de tempo, tinta e actos perdidos – simplesmente, porque não vale nada –, já o voto branco tem um significado.

Quem se desloca à sua secção e à cabina de voto e, simplesmente, dobra o boletim e leva-o até ao depósito na urna exerce um dever cívico, goza um direito de cidadania e manifesta uma opinião: não concorda ou não se revê em nenhuma das candidaturas/candidatos. Domingo, foram muitos os que assim votaram e, talvez, e apenas, por uma única razão: assistimos a uma campanha, no mínimo deplorável. Ataques pessoais, recusa das temáticas inerentes às atribuições do órgão que é objecto do sufrágio, em detrimento da introdução de assuntos ligados a outros órgãos, outros agentes e outras eleições, provocando apenas e só a confusão.

Com efeito, há muitos que interpretando textualmente a ‘teoria do caos’ como se tratasse da ‘teoria da desordem’, ficam à espera do ‘efeito borboleta’, que bate as asas no Brasil e desencadeia um tornado no Texas.
Não basta ofenderem-se uns aos outros e a nossa inteligência, como também a memória de Edward Norton Lorenz (23.Mai.1971 – 16.Abr.2008).
Aparte dos objectivos obtusos ou abstrusos de alguns dos protagonistas, quero acreditar que entre todos haveria alguém de boa fé, que acaba por ser prejudicado, nomeadamente com a sua não eleição e que certamente também se abstraiu da metodologia de algumas das campanhas e do bater de asas de algumas das ‘borboletas’ que se perfilaram.
Enfim, estão escolhidos os homens e as mulheres que em Estrasburgo e Bruxelas são Os Portugueses.
cogitado por vics às 20:29
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Por uma questão de respeito

Pela manhã tive um insólito telefonema de uma senhora – por quem nutro de grande respeito –, advertindo-me para ser mais contido nos ataques que fazia a pessoas de respeito.

Ora, não sei se do pouco descanso – pois tinha dormido aproximadamente 2 horas  –, se pela pouco oportuna abordagem, assim como pela argumentação  –  pois referia-se ao anterior post que eu tinha colocado aqui no Cogito blog existo  –, lançou-me ao tapete.

De facto, não esperava aquele telefonema e, confesso, que tal senhora perdesse tempo a ler as minhas cogitações...

Ainda antes de sair de casa, fui levado ao dicionário para ver o conceito de “respeito”. Concluí que, de facto, era aquilo que nutria e nutro pela senhora, porém de forma alguma consigo vislumbrar naquele post eventual ofensa, mesmo que ínfima, a alguém de respeito.

Devolvi a chamada, pedindo desculpa e inquirindo a quem se referia, ao que me disse que eu ofendera os dois irmãos que tinham linhas de pensamento distintas e, por isso, estavam em partidos distintos. Percebi então. Agradeci e desejei um resto de bom dia àquela senhora de respeito e que a respeito não revelando o seu nome.

Contudo, reitero, mal vai este país quando recruta do mesmo lar dois líderes para dois partidos com ideologias tão distintas. Creio que algo terá falhado no processo de formação e desenvolvimento daqueles senhores quando foram miúdos. Para terem escolhido caminhos tão diferentes, certamente os pais também não olharam de forma igual para eles.

 

Ofensivo seria se me referisse a outras opções da mesma família e se citasse aquilo que já ouvi repetidamente: dos três irmãos o único que gosta de raparigas é ... a filha. Às vezes penso que o respeitável senhor arquitecto só terá estado bem quando desenhou a Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

Maior ofensa seria se ousasse considerar que o feito que eternizou o tio materno teria decorrido da antevisão do que seriam estes sobrinhos e de não querer sequer aguardar a sua chegada, por isso se pirara.

tags:
cogitado por vics às 13:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Os donos não são maus, mas oh cães d'um ....

Ouvi há pouco, no carro, o espaço de direito de antena dos partidos e candidaturas ao parlamento europeu. A ciência política sempre foi uma área que mereceu a minha atenção, porém cada vez mais estou mais desiludido com os actores sociais que se encontram nesta área.

De facto, é já costumeiro ouvir políticos atacarem-se uns aos outros invés de apresentar opiniões, ideias, propostas, opondo-se às outras provindas dos outros partidos ou facções, ou – e porque tal não desenobrece ninguém , simplesmente, concordar com elas. Todavia o 'ataque ao homem' é hoje uma constante e a predominante, pois que me recorde do espaço de antena não ouvi uma só ideia.

Temo que caminhemos de mal a pior.

Concordando com o actual sistema político que temos em Portugal e respeitando a existência dos partidos e movimentos que existem formalmente desde o PNR ao POUS, pese embora não concorde com muitas das suas ideias e com a linha ideológica, em especial dos mais extremistas, diagnostico que o problema está na cultura organizacional. Todos os partidos têm-na muito forte. Senão vejamos: quem é o rosto e eterno candidato do PCTP/MRPP? Quem é o rebuscado e recauchutado líder do CDS/PP? Quando aquela cultura é muito forte – e se confirma que isso é mau para tudo e todos , então só há uma solução: mudar de líder. Os partidos precisam de nova liderança, de novos rostos, de novas ambições, de novas ideias, de novos rumos.

Actualmente, creio que eles têm as ideias que os outros já tiveram ou que ouviram nos corredores do Palácio de São Bento, estateladas na calçada do Largo das Cortes, ou acomodadas nas arcadas do Terreiro do Paço. Conhecem-se todos, uns aos outros, eliminaram virtudes, expuseram as nódoas e todos os dias descem ao Tejo na baixa maré para lavar os trapos encardidos no denso e fétido lodo.

Mas também, poderemos pedir mais de um país onde de uma só família se recrutaram dois líderes partidários, um para a Esquerda e outro para a Direita?

cogitado por vics às 22:04
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.cogitos recentes

. O tal princípio de Peter ...

. Higiene n'os media

. Dia de luto em Portugal

. Arte de bem receber a Mat...

. Vencer barreiras

. UNIÃO EUROPEIA, Quo vadis...

. Economia estrangulada

. Relançar o Futuro

. Tobin 40 anos depois

. Piegas Povinho

. Simplesmente... espectacu...

. Uma Alarvidade

. Ver para crer...

. Última hora: Mais um aume...

. Jornada Mundial pelo Trab...

.arquivos

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Janeiro 2012

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Dezembro 2008

. Dezembro 2007

. Abril 2007

. Julho 2006

. Março 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Fevereiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

.tags

. todas as tags

.links

.Cogitantes até agora

Counter
Free Counter

.Cogitando

online
blogs SAPO

.subscrever feeds