Quarta-feira, 30 de Novembro de 2005

SELECCIONAR O PRESIDENTE

Não é tarefa fácil seleccionar, de entre os candidatos ao cargo, o melhor para o exercício da função. Podem adoptar-se muitos e diversos testes para auxiliar a selecção.

Na Gestão de Recursos Humanos para um processo banal de selecção consideram-se absolutamente exigidos o exame médico, a avaliação curricular e a prova de entrevista. Nestes parâmetros, de entre os candidatos, muitos são rejeitados ou por não ter qualificação adequada, problema de saúde incompatível com o exercício da função ou porque a entrevista denunciou fragilidades inaceitáveis. Tudo se torna mais fácil quando o responsável pela selecção já conhece os candidatos.

Será, portanto, interessante efectuar um exercício para a selecção dos candidatos ao cargo de Presidente da República.
São 10 os interessados.

Só dois apresentaram exame médico: o Dr. Mário Soares e o Dr. Manuel Alegre.

Na avaliação curricular destacam-se o Dr. Soares, o Dr. Alegre e o professor Silva. O Dr. Louçã, o Sr. Jerónimo, o Sr. Garcia têm apresentado várias candidaturas, mas os currículos não espelham exercício de funções para além da docência, produção metalúrgica, advocacia e de deputados.

Na prova de entrevista e porque cinco não vão ter oportunidade de ser entrevistados, podemos considerar os respectivos percursos e a forma como agiram ou reagiram nos diversos momentos que chegaram aos nossos conhecimento: o sr. Vieira demonstra ser demasiado galhofeiro, poderia esbandalhar uma qualquer cerimónia oficial; o Dr. Martins num quadro maniqueísta está sempre do lado mau, poderia ser sempre o maior aliado da oposição ou ser do contra e vetar tudo; o Dr. Garcia demonstra uma enorme persistência o que por vezes pode ser confundido com teimosia (daquela toca só sai aquele coelho), poderia ser inconveniente em eventuais desacordos com o Governo ou Parlamento; a D. Carmelinda e a D. Manuela não se têm deixado ver, e o palácio precisa de Presidente presente; o Dr. Louçã tem um comportamento do tipo treinador de bancada, próprio de quem sabe que nunca vai treinar ou dirigir a equipa, é uma atitude que não é bem-vinda para o cargo; o sr. Jerónimo demonstra ser contra-governo, seja qual for o seu partido, também não seria oportuno em Belém; o professor Silva fala pouco, por isso não se engana, mas quando age é muito duro e brusco, na função é preciso alguém mais do tipo Guterres, que é como quem diz, dialogante e conciliador; o Dr. Soares tem uma vasta experiência e o percurso ideal, mas tem 81 anos, o que não sendo problema para ele, hoje, pode ser para nós amanhã; o Dr. Alegre tem uma atitude correcta e provém da esquerda, o que só por si já é um bom motivo ou não tivessem sido os antecessores na função provindos dessa área.

Pelo exposto e como técnico, a minha proposta para o cargo é Dr. Manuel Alegre.

Victor Santos
vics@sapo.pt


 

cogitado por vics às 20:45
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10 CANDIDATOS PARA UMA SÓ CADEIRA

Não são 5. São 10 os cidadãos que apresentaram a sua pré-candidatura a Presidente da República à eleições agendadas para Janeiro de 2006, a saber: Carmelinda Pereira, Cavaco Silva, Francisco Louçã, Garcia Pereira, Jerónimo de Sousa, José Maria Martins, Manuela Magno, Manuel Alegre, Manuel Vieira e Mário Soares.

São 10 cidadãos que consigo têm muitas vezes 10 outros cidadãos e que, acreditando na boa fé dos intervenientes e dos protagonistas, certamente, das suas candidaturas sairão muitas ideias e, oxalá, boa e útil discussão política para Portugal. O título que escolhi para este post é distinto daquilo que até aqui referi, mas permiti-me apontar o dedo àqueles que – principalmente os media – teimam em esquecer-se de outros tantos candidatos. Não são cinco, são dez.

Mas também é sobre cadeiras que me quero referir. Atento aos candidatos e à disponibilidade que alguns manifestaram para sê-lo, respeitando-os, reporto-me para uma ideia que há muito venho partilhando com os meus amigos e com quem tem a paciência de me ouvir ou ler: temos deputados a mais no Parlamento e devíamos ter um senado. Entendo que metade dos deputados era suficiente para a dimensão do nosso país. Mas também considero que era relevante para Portugal que estivesse instalado um Senado, no qual tivessem assento antigos Presidentes da República e da Assembleia da República, Primeiros Ministros, Governantes e Deputados, entre outros cidadãos que, pelo que deram ao país e pela natural vontade de continuar a fazê-lo, como verdadeiros anciãos, amparassem a Democracia que se conquistou em 1974.

O Dr. Mário Soares, que elogiei e continuarei a fazê-lo pela disponibilidade que manifestou aos 81 anos para continuar a ajudar o país livre e democrático que também auxiliou a construção, seria sem sombra de dúvida O Primeiro dos Senadores, porque o país continua a precisar dele e do seu conhecimento. Ainda hoje é possível colher frutos da semente que esse ‘Senador’ deitou à terra. Obrigado e bem haja, Dr. Soares!


Victor Santos
vics@sapo.pt

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Terça-feira, 29 de Novembro de 2005

PERPLEXO, INTRIGADO E OFENDIDO.

A existência de sindicatos adstritos à Direita do quadrante político é algo que, para mim, já é só por si, seriamente, incompreensível. Mas tomar conhecimento que sindicalistas – homens e mulheres de uma classe ou grupo profissional que se juntaram para a defesa dos SEUS interesses profissionais e económicos – incorporam o exército de obliterados que em cortejo seguem as passadas do professor Cavaco Silva, é, no mínimo confuso.

Mais: Ouvir de um dirigente sindical que foi com a Governação do professor Cavaco Silva que singularmente houve diálogo político-social com os trabalhadores, é, no mínimo ofensivo. Se não fosse tão injusto e cruel, era motivo sim de absoluta chacota.

Diálogo!? Não terá sido a falta deste que potenciou ao engenheiro António Guterres chegar a Primeiro-Ministro?

Diálogo!? Quando? Aquando da obrigatoriedade de trabalhar no dia de entrudo? Ou terá sido nos momentos de congelação dos aumentos salariais e das promoções e progressões profissionais?

Por perplexidade, nojo, intrigado e ofendido, permito ser cruel e deselegante e lamentar os cegos amnésicos e insolentes discíplos do "Priorado da Estilha de Silvado" que entram no Pântano como quem mergulha num límpido e aprazível mar de águas limpas e transparentes.


Victor Santos
vics@sapo.pt

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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2005

PORTUGAL: QUO VADIS!

“Os Portugueses têm memória curta” e “Os Portugueses querem um Salazar em cada esquina". Afinal, não são ditados populares, nem frases-feitas, chavões ou asneiras. Começo a considerar que têm disso feito efectivos princípios ou objectivos bem almejados para o seu modus vivendi.

Apreensivo, constato que só a memória curta dos portugueses permite que o senhor Silva – O Guardador de Tabus – esteja bem posicionado nas sondagens da eleição do Presidente da República. Confirmo que deve mesmo ser da curteza da memória que esse mesmo senhor encontra praias de gente onde atraca e consigo leva um ou outro rio.

Será que já se esqueceram? Ou será porque de entre os concidadãos o senhor Silva é o único resquício que ainda lhes recorda Salazar, o tal que faz falta em cada esquina, como dizem?

Não sei se é dos brandos costumes, do ‘nacional desenrascanço’, ou da ‘chique-espertice’, mas acabo de crer que o português gosta mesmo de situações difíceis, ou como diz o outro, de levar porrada.


Victor Santos
vics@sapo.pt


NOTA: "Sr. Silva" gentilmente cedido pelo pseudo-democrata, o Rei e Senhor da Madeira.

cogitado por vics às 14:56
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Domingo, 27 de Novembro de 2005

O PARADOXO

Chamo-lhe paradoxo para manter o nível e não ser deselegante, porque na verdade, esta situação poderia ser adjectivada com outros vocábulos bem mais apropriados, embora que mais ligeiros.

O sr. Silva, de cognome “Guardador de Tabus”, não esteve com meias medidas. Caladinho, caladinho, como o afamado símio, sem pejo nem preocupação, debaixo de um guarda-chuva forrado a silêncio e com cabo de sigilo, explicou a sua ‘estratégia’ em livro e – por força do seu punho firme, rude metodologia e atitude irreversível própria de quem nunca se engana e que raramente tem dúvidas –, provocou uma considerável dejecção de escritos de vários autores conhecidos e outros anónimos que se sentiram na obrigação de esclarecer até onde vai a função de Presidente da República.
Creio que não se tenha enganado, nem tampouco tenha tido dúvida quanto às atitudes que tomou ou incitou, umas e outras foram estratégicas para a rampa de lançamento da candidatura. Pois, creio não me enganar e nem duvidar que tenha sido absolutamente necessário corrigir os efeitos que as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa provocaram.
Com efeito, este catedrático, numa atitude de boa fé procurou dar uma ajuda ao sr. Silva antes da apresentação da candidatura. Para isso, ousou enfatizar a crise económica e, também, o elevado mérito, nessa mesma área, detido pelo Sr. Silva.
Apesar de ser constitucionalista, matreiramente, camuflou a função e as competências do Presidente da República, dizendo que o sr. Silva, por ser um excelente economista, seria o ideal para o cargo. Foram precisamente estas palavras que obrigaram o Sr. Silva a jogar mais baixo e tomar uma atitude mais terrena, ou aquelas não tivessem relembrado os portugueses da doentia vontade que os inquilinos do n.º 9 da Rua de São Caetano sempre tiveram de mudar a sede do PSD da Lapa para o Palácio de Belém.

Descurando esta análise, não deixa de ser paradoxal que o “Guardador de Silêncios” para apresentação da sua candidatura, se tenha feito valer do VERBO.

Victor Santos
vics@sapo.pt

NOTA: Sr. Silva ® ( gentilmente cedido por AJJ)

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Sábado, 26 de Novembro de 2005

OS PODERES DO PRESIDENTE

Por força de certas declarações que visam promover ou enaltecer um ou outro candidato às Presidências 2006, necessariamente foi trazido para a discussão a natureza e a extensão dos poderes conferidos àquele órgão de soberania.

É neste sentido que, importa esclarecer que o presidente é, tão só, o Garante da Estabilidade do Estado, porquanto apenas lhe assiste, nos termos da lei fundamental (Constituição da República Portuguesa), basicamente, os seguintes poderes:
- o Comando Supremo das Forças Armadas [ art.ºs. 133.º / p) e 134.º / a) ]
- a dissolução da Assembleia da República [ art.º 133.º/ e) ]
- a nomeação do Primeiro-Ministro [ art.º 133.º/ f) ] e a demissão do Governo [ art.º 133.º/g) ]
- a dissolução dos órgãos de governo próprio das regiões autónomas [ art.º 133.º/ j) ]
- declaração do estado de sítio ou do estado de emergência [ art.º 134.º / d) ]
- a declaração da guerra e feitura da paz [ art.º 135.º/ c) ]
- a promulgação das leis, decretos-leis e decretos regulamentares e a assinatura dos restantes decretos do Governo [ art.º 134.º/ b) ]
- a ratificação dos tratados internacionais e a assinatura dos decretos e resoluções que aprovem acordos internacionais [ art.ºs. 134.º/ b) e 135.º/ b) ]
- a convocação do referendo [ art.º 134.º/ c) ]
- a fiscalização preventiva da constitucionalidade [ art.º 134.º/ g) ]
- a nomeação e exoneração de titulares de órgãos do Estado - a nomeação dos embaixadores e dos enviados extraordinários [ art.º 135.º/ a) ]
- o indulto e comutação de penas [ art.º 134.º/ f) ]

Será imperativo que o Presidente da República seja um distinto quadro qualificado em economia, em engenharia, em medicina ou em qualquer outra área específica? NÃO! Claro que não. 

Basta-lhe apenas que preencha outros requisitos de grande relevo para o exercício do cargo: Basta-lhe que saiba ouvir, que saiba ver, que saiba sentir, que saiba agir de forma conciliatória e fraterna, e sobretudo, ter absoluta inteligência emocional. Que tenha muito valor humano na acepção sociológica da palavra.


Victor Santos
vics@sapo.pt

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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2005

HAJA DECÊNCIA E RESPEITO.

Respeite-se os homens e mulheres que ignoram eventuais limitações (mesmo aquelas limitações que só os outros as verifiquem por mera estereotipia da idade ou de qualquer outra condição) e que manifestam uma permanente vontade de estar activos e participar no dinâmico processo de criação de uma sociedade cada vez melhor.

Não é correcto, nem honesto que alguns adversários políticos ou até mesmo os media exerçam sobre o Dr. Mário Soares a apreciação nefasta, pejorativa e infame que lhe têm atribuído desde o momento em que decidiu candidatar-se à Presidência da República.

Não estamos habituados a ver um indivíduo com 81 anos que aparente a força, a inteligência e a capacidade com que o Dr. Mário Soares nos tem brindado, porém isso não é justificativo para que sejamos deselegantes com essa vontade e essa determinação que ele imprimiu no acto de, apesar de octogenário, se disponibilizar para ajudar o país livre que ajudou a construir.

São muitos os feitos, é vasta a obra, é notório o trabalho, a dedicação e interesse que o Dr. Mário Soares prestou ao país e aos seus concidadãos. É um importante marco na história do país e não merece o desaforo que lhe têm feito preferindo ignorar mais um acto de ajuda e enfatizando, em contraproposta, um espasmo de agarramento ao poder.

Apraz-me aditar a este post uma máxima de um outro fazedor da liberdade Martin Luther King Jr. "A verdadeira medida de um homem não é como ele se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas como ele se mantém em tempos de controvérsia e desafio."


Victor Santos
vics@sapo.pt

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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2005

CONTRA-SENSO OU INACREDITÁVEL

A notícia que hoje encheu a primeira página dos matutinos e abriu os blocos noticiosos dos canais televisivos e das rádios – bem ao estilo a que estamos habituados desde o caso do AquaParck e simultâneo lançamento da SIC e da Alberta Marques Fernandes, o “Mono-tema”  –, foi o teor do documento aprovado pelo Papa Bento XVI a 31 de Agosto de 2005, através do qual o Vaticano exclui homossexuais do sacerdócio.

Escusando-me a explorar que a notícia encorpe um qualquer arremesso aos indivíduos com orientação sexual dentro do mesmo sexo, e a reiterar o que tantos técnicos já disseram ou escreveram sobre a formação da mesma, ou enfatizar o direito de serem respeitados, e que quando tal não ocorre é deplorável, não posso porém deixar de manifestar a minha apreciação técnica.

Com efeito, enquanto licenciado em Gestão de Recursos Humanos, creio que esta notícia cria um quadro complexo. Dir-se-ia que o processo de selecção a que a mesma alude está desajustado à função de sacerdote. Vejamos: Poderá colocar-se como requisito de selecção a orientação sexual dos candidatos a uma função, no exercício da qual não é permitido sequer manifestá-la?

Do ponto de vista religioso, outra questão se impõe, será que a Cúria e o sumo pontífice representam na terra a plenitude da mensagem de Jesus Cristo? O filho de Deus não nos deixou a mensagem: «Não te importes da raça nem da cor da pele. Ama a todos como irmãos.»?


Victor Santos
vics@sapo.pt

cogitado por vics às 11:05
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