Terça-feira, 30 de Novembro de 2004

Acordai (ou descansai)! O pesadelo terminou!!!

O Presidente da República decidiu, e bem, interromper o declíneo da Governação, o extermínio das vitórias de Abril. Está decidido.


Escrevi esta manhã que, o Dr. Sampaio revestindo-se de faculdades informáticas, devia amanhã aproveitar a efeméride da Restauração para restaurar o sistema. Eis que, para surpresa minha, a reunião que devería ter lugar amanhã foi antecipada. Só isso me surpreendeu no serviço especial de informação a que assisti há pouco na televisão.
Não sabia da antecipação da reunião e qual é o meu espanto quando vejo o Dr. Santana Lopes usar o microfone colocado no hall do Palácio de Belém. Porquê hoje? A reunião não estava agendada para amanhã? 
Após adúvida, suspirei, pois o uso que o Dr. Santana Lopes deu aqule equipamento sonoro foi para se dirigir, de forma breve, ao país comunicando que sua Excelência o Presidente da República lhe havia comunicado, na reunião que agora cessava, que ía dar início às diligências necessárias para a dissolução do Parlamento.
Com efeito, as avulsas peças colocadas de forma desordenada, e que simbolizam a actividade do XVI Governo da República Portuguesa, constituem um puzzle muito ignóbil ou abjecto.
Não vou citar aqui as vicissitudes e atitudes evasivas que (des)nortearam a actividade governativa, aliás elas estão bem presentes nos portugueses e no mundo, creio. E, espero que não nos esqueçamos delas muito cedo, contrariando a rotina que nos caracteriza e a passividade que nos corrói.
Mas, é bastante dizer que o Dr. Jorge Sampaio, apesar das críticas, apesar dos conselhos, apesar dos alertas que lhe fizeram nos primeiros dias de Julho de 2004 - e que aliás, também registei neste blog - deu o benefício da dúvida ao Dr. Pedro Santana Lopes e à sua equipa.
No entanto, estes não conseguiram garantir o sucesso e a performance que se esperava. Recorde-se que foram nomeados em tom de aviso presidencial e, bem assim, não foram capazes de enquadrar a sua acção nos trâmites salientados. Não enumerando nenhuma das razões que sugerem e fundamentam a última decisão do Presidente da República, apenas se regista um lamento: o grave não é o Governo ter perseguido um trilho sinuoso e de mau pavimento, o grave ou gravoso é que o objecto da intervenção do Governo tenhamos sido nós portugueses.


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
Penso, blog existo!
Estarei certo?


Victor Santos
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Re-Restaurar é preciso!

A César o que é de César, a Deus o que é de Deus e aos portugueses o que é dos portugueses.


1. A Restauração de 1640 – Passa amanhã a efeméride ‘Restauração da Independência’ que assinala a recuperação da independência nacional face à Espanha em 1640, após 60 anos de ocupação e opressão.
Esse momento que se recorda no dia 1 de Dezembro, merecendo ser feriado nacional, reporta-se a um movimento histórico que devolver a independência a Portugal que a havia perdido no rescaldo da morte de D. Sebastião em 1578, em Alcácer-Quibir, a quem sucedeu o Cardeal D. Henrique I, cujo reinado durou dois anos e não travou o declíneo e o mergulho numa crise dinástica. Tais propósitos arrastaram a solução para as Cortes de Tomar (1581), onde Felipe II de Espanha é aclamado Rei de Portugal.
Viveu-se durante 60 anos, ao contrário daquilo que o monarca prometeu naquelas cortes, ainda no seu mandato, e de modo mais intenso no reinado seu sucessor – Felipe III – um ambiente de absoluto desrespeito dos privilégios nacionais, o aumento dos impostos, o empobrecimento da população, a afectação dos burgueses nos seus interesses comerciais; a expropriação de postos e rendimentos da nobreza; a ameaça do império português por Ingleses e Holandeses perante o desinteresse dos governadores filipinos.
Foi um desafogo quando, no dia 1 de Dezembro de 1640, se assegurou a devolução de Portugal aos portugueses.


2. Restaurar é corrigir – Aos informáticos, quer na óptica científica, quer na óptica da utilização, assiste uma ferramenta virtual que permite corrigir os erros no sistema que consiste em voltar ao estado em que esse mesmo sistema estava antes dos erros, ou seja à data em que esses erros verificados ainda não tinham ocorrido. A existência de virus ou erros no sistema é assim possível de colmatar se se voltar a uma data anterior. A essa ferramenta virtual dá-se o nome de 'restauro do sistema'.


3. Restaurar, o conceito – Provém do latim «restaurare» e significa instaurar de novo, renovar, readquirir, reconquistar, conservar, reintegrar, pôr em vigor. Quando reflexo é sinónimo de restabelecer-se.


4. A Restauração de 2004 – Perante a actual conjuntura política, económica e social em que o país está mergulhado e que relembra alguns escritos de Eça de Queirós – recordo-me de “As Farpas” (1871) –, importa que Sua Excelência o Presidente da República, no estrito uso das competências que lhe estão conferidas pela Constituição da República, e, aproveitando o ensejo da reunião que agendou para amanhã com sua Excelência o Primeiro Ministro a propósito de mais um vergonhoso episódio do XVI Governo, decida iniciar a Restauração de 2004.


Está nas mãos do Dr. Jorge Sampaio fazer o que um informático faria, o restauro do sistema à data de 9 de Julho de 2004.


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
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Victor Santos
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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2004

O prematuro rejeitado

Ouvi ontem, na TSF, o Primeiro Ministro do Governo da República Portuguesa, Dr. Santana Lopes, lamentar que «este governo a quem ninguém quase deu direito de existir antes de nascer (…) teve que ir para a incubadora para ganhar direito à vida (…) estava na incubadora e via alguns irmãos mais velhos passarem pela incubadora e darem-lhe uns estalos e pontapés».


Perante tais palavras, pergunto-me:



  1. Por que é que o nascituro foi para a incubadora? Devido a má formação fetal? Devido a nascimento prematuro? Ou, devido a problemas ocorridos com o parto? 
  2. Por que é que quase ninguém deu ou quis dar direito à vida ao nascituro, mesmo enquanto feto? Porque se aperceberam de qualquer defeito ou maleita incurável? 
  3. Por que é que os irmãos mais velhos agrediram o recém-nascido? Estalos e pontapés?! Credo! Se a criatura nascida era mesmo frágil ou revelava qualquer doença, é de uma natureza demente e hedionda a agressão dos adultos sobre ela. Isso revelaria uma insanidade dos membros mais velhos da irmandade.
    Por outro lado, um par de estalos e pontapés só caiem, ou devem cair, num objecto de dimensão superior. Talvez inestético ou ignóbil. Mesmo com os animais, há quem faça festas aos exemplares mais bonitos e bata os pés aos mais feios. Mas terá a agressão que ver com beleza ou falta dela?
    Efectivamente, este é o maior Governo de sempre – com mais ministros e secretários de estado - mas será isso motivo de agressão?
    Ou será que a criança é bicéfala? Isso sim, parece-me aceitável. Tem dias que é o Teco que manda, tem outros que é o Tico. O Tico desautoriza o teco e vice-versa e lá vai sobrevivendo a criança (des)orientada pelos comandos superiores; 
  4. Por que é que os adultos batem nas crianças? Há quem diga que «quem dá o pão, dá a ‘criação’ (educação!?!)». Mas também há a intolerância e a violência domésticas. Resta saber o tipo de adultos que temos naquela família, só aí saberemos a razão.

No entanto, permito-me concluir que se a família do número 9 da Rua de São Caetano à Lapa fosse pró-aborto, talvez nada disto acontecesse ou dissesse.


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
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Victor Santos
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O trauma do Natal ou suspiro natalício?

Devia o poeta ter razão: «o Natal é sempre que o homem quiser».


O mesmo homem que dirigiu, antes de desistir e voltar para casa, o clube de futebol português que só tinha êxito no campeonato até ao Natal, é quem dirige actualmente o país. Será que temos sorte e fará o mesmo com o Governo? Até calhava bem e cumpria-se o voto: «ano novo, vida nova».
Quando é que isto parará? Todos os dias, a toda a hora, surge um novo tiro e um novo pássaro a cair. A intervenção deste Governo é mesmo do tipo «cada tiro, cada melro».


Quando poderemos suspirar de alívio?


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Victor Santos
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Sábado, 27 de Novembro de 2004

Adversários ou Inimigos?

Mais vale um grande grupo de adversários do que um embrião de um inimigo.


Efectivamente as palavras ‘adversário’ e ‘inimigo’, em certos contextos podem ser consideradas como sinónimos. Aliás, alguns dicionários reforçam mesmo esta ideia. No entanto, a carga semântica que é dada a cada um dos vocábulos é distinta.
Se, por um lado, utilizamos ‘adversário’ para nos referirmos aos nossos concorrentes a quem disputa connosco, sem prejuízo do bom relacionamento e do respeito pelo outro, independentemente da natureza da disputa, por outro, o termo ‘inimigo’ é utilizado para aludir aos não amigos, deixando transparecer uma certa carga de hostilidade ou ódio. Nalguns casos, alguns autores quando aludem ao demónio, fazendo como que de uma forma receosa, escrevem ‘inimigo’. Mais, quando nos referimos aos contactos com adversários chamamos-lhe ‘relações’ e quando nos referimos aos inimigos preferimos usar a palavra ‘confrontos’. As relações com os adversários baseiam-se em disputas ditadas de regras, ao passo que com os inimigos, é o ‘vale tudo’.


Atento às novas vivências das sociedades, presumo que cada vez mais o ‘inimigo’ ganha terreno ao ‘adversário’.
As regras e o bom relacionamento dissipam-se e as demandas pela supremacia assumem forças nunca antes observadas. Em todas as áreas em que indivíduos são postos à prova, entram na competição com o intuito de ganhar, só preparados para a vitória, custe o que custar e a quem custar.


Penetrando friamente no sector político, e olhando para as quezílias da actualidade, temos assistido a competições que revelam uma clivagem e uma inimizade assustadora. Li recentemente um artigo que referia que o candidato da oposição na Ucrânia, na corrida para as eleições Presidenciais, havia sido objecto de um envenenamento cujo efeito foi a desfiguração do rosto em virtude da contaminação dissidente daquela intoxicação. Muito se pode falar sobre isto, conjecturar, alvitrar, especular e concluir. Traz à discussão uma nova manifestação concorrencial e inicia uma nova forma de inimizade. Mas essencialmente apenas me apraz dizer que não só na Ucrânia isto acontece. Infelizmente, bem perto, no nosso país, ocorre o mesmo, embora que sem desfigurações, por enquanto.


Hoje, em Portugal, criticam-se as pessoas e não as obras. Cultiva-se a crítica infundada, aleatória e sem regras.
Creio que não basta dizer que está mal, é preciso dizer por que é que está mal e apresentar soluções alternativas. Então aí, o povo, que é soberano, é que decidirá qual a melhor proposta.
O político hoje foge ao compromisso fazendo crer que «quem mais jura mais mente» e que «as promessas caiem em cesto roto». Mas, não será antes uma forma airosa de escapar à vinculação às ideias, aos projectos? Não será por isso e porque se professa o vazio de conteúdo que se ataca as pessoas, os protagonistas que concorrem noutro projecto? Será que um dia voltam a haver ‘adversários políticos’ ao invés de ‘inimigos políticos’?


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
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Victor Santos
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Democracia

Foi você que pediu uma dose de Democracia? Para uso interno ou externo?


Democracia, o vocábulo que sua Excelência o Presidente da República usa aquando dos seus discursos ou que fica bem em qualquer discurso de um qualquer homo-politicus. Mas na verdade o que é isso de democracia? Provém do Grego – demokratía – e respeita ao sistema político fundamentado no princípio de que a autoridade emana do povo. Mais, é exercida pelo povo (conjunto de cidadãos) ao investir o poder soberano através de eleições periódicas livres. Assenta ainda no princípio da distribuição equitativa do poder.


Os partidos políticos, cada um à sua maneira, apregoam métodos e objectivos para dotar a intervenção do Estado e a vivência dos cidadãos no país, do estabelecimento pleno da Democracia e dos seus valores e ideais.
Tendo recentemente assistido à eleição dos novos dirigentes dos maiores partidos portugueses, desde o PSD, ao PS, culminando hoje com o PCP, que em congresso legitimam os novos protagonistas, foi possível ver como é que os princípios democráticos são respeitados e vividos, no interior partidário.
Sem analisarmos os projectos, mas somente a escolha dos novos protagonistas, verificamos o seguinte:



  1. o PPD/PSD elege o seu Principal dirigente – Presidente – e a respectiva equipa em congresso onde participam representantes de todas as estruturas concelhias numa razão de proporcionalidade face ao número de militantes que possuem – na última reunião magna dos “laranjas” só foi apresentada uma lista;

  2. o PS convoca todos os seus militantes para, na estrutura concelhia em que estão inscritos, escolherem o novo secretário-geral de entre os candidatos que concorrem ao cargo. Posteriormente realiza congresso onde representantes das estruturas concelhias, também numa razão de proporcionalidade face ao número de militantes, escolhem votam a equipa que o novo líder apresenta – no último processo concorreram três militantes ao cargo de Secretário-Geral; 

  3. o PCP convoca o congresso onde militantes delegados em representação das estruturas concelhias elegem o novo comité central, proposto pelo cessante. Este órgão escolherá o novo Secretário-Geral.

Pergunta-se: Qual será o melhor método? Qual será o método em que todos os militantes se revêem? E o que é que os cidadãos não-militantes de qualquer partido pensarão destes processos eleitorais? Qual será o que usa o processo mais “democrático”? Poderão os partidos que não gozam de democracia interna propô-la e garanti-la ao país e aos cidadãos? Estarão em condições de fazê-lo?


Bem, isto são cá coisas minhas, mas que penso nelas é verdade.
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Victor Santos
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Terça-feira, 23 de Novembro de 2004

PORTAGENS, na Via do Infante? Não, muito obrigado!

Não podemos ficar de braços cruzados!


É preciso dizer:


NÃO!


Não queremos!


Não queremos porque é castrante para a economia regional,
para a vida das populações residentes e ofensivo do ponto de vista social e do valor humano.


portagens1.jpg


É preciso que cada um de nós algarvios e portugueses
levantemos a voz e digamos:


AQUI NÃO!


A nossa "Via do Infante" (a A22 deles), não tem alternativa. É uma acessibilidade estruturante. Não é uma auto-estrada.


 


Victor Santos
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A Dualidade do Insuprível

Eureka!!! Descobriram, finalmente, que o tabaco tem substâncias cancerígenas!!!


Há coisa de uns três anos, um colega de curso, num ambiente de qualquer ritual académico e, presumo, de ínfima sobriedade, deixou escapulir um daqueles comentários que provocam a gargalhada geral: «Não fumem, porque fumar é um auto-suicídio!». No mínimo, hilariante.
De facto: se “auto” é o prefixo que reflecte a intervenção do próprio indivíduo no processo e se “suicídio” é uma palavra cujo, também, prefixo “sui”, que provém do latim, indica “de si mesmo”, não estaríamos sobre o relato de uma redundante conclusão? Creio que sim. Todavia, quando a acção em apreço preconiza um facto consumado, irreversível e irreparável, a afirmação não deixa de ser insólita e, por isso, provoque o inevitável riso. No caso em concreto estaríamos perante uma imortal faculdade de conseguir matar-se duas vezes.


As manchetes que encheram os jornais dos últimos dias e que aludiam à presença de substâncias cancerígenas no tabaco, provenientes de um qualquer pesticida, não podem deixar de merecer a mesma interpretação. No mínimo hilariantes.
Ora, então o tabaco não é só por si um elemento recheado de substâncias cancerígenas, mesmo sem ter sido objecto da referida rega pesticida?
Claro que é. O tabaco é constituído por organoclorados – compostos orgânicos que combinam cloro e carbono – assumindo-se dessa combinação uma efectiva natureza cancerígena.
Ou seja: O mesmo seria dizer que se descobriu que um dos “tartarugas ninja” é verde.
Se abstraídos da 'questão tabaqueira' e analisarmos de forma mais lata a questão, podemos então perceber que não se trata de uma preocupação preventiva de saúde mas sim de uma prevenção da imagem do Governo da República.


Vejamos: os tais cigarros regados pelo pesticida são, sem mais nem menos, os que têm maior venda em Portugal; as manchetes surgem no rescaldo do anúncio da preparação e aprovação de nova regulamentação e legislação que incidirá sobre os fumadores e sobre o tabaco; entretanto, no Parlamento discutia-se o Orçamento de Estado para 2005, facto que foi pouco noticiado; o director de informação da RTP demitia-se; a coligação governamental vivia um período de conflito conjugal.
Poderemos dissociar estas questões? Será que não há uma qualquer inter-relação? Será que as manchetes não serviram meramente para desviar atenções? Será mesmo necessário criar uma Central de Notícias para controlar o fabrico do produto ‘noticiário’ ou isso seria apenas a forma de legalizar a prática já existente?


Entretanto, vão-se queimando…uns cigarinhos. E o fumo vai-se instalando. Eis o quarto "F" que Salazar não se lembrou.


É o Estado de um tempo Novo.


Victor Santos
vics@sapo.pt


P.S.: Ah! Já agora, se o intuito é mesmo alertar para o problema dos malefícios do tabagismo, PROÍBAM A VENDA DO TABACO!!!

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Sábado, 20 de Novembro de 2004

O Regresso da Censura

Vivemos um tempo novo, com novos protagonistas, mas com odor a mofo.


O milénio é o terceiro e os rostos do Terreiro de Paço são novos, no entanto expelem dos seus poros um tal odor que provém do passado e ofende a venta de quem nunca cheiro teve. O país teima em avançar e recuar em solavancos que o colocam à deriva, norteado por medidas avulsas e desprovidas de nexo, sobretudo no que se refere à justiça social. Há cada vez mais uma clara afronta e perseguição dos mais fracos, retirando-lhes o resquício de robustez que lhes resta. É um facto.
No entanto, a intervenção destes novos governantes não deixa transparecer a sua rispidez, muito pelo contrário, eu diría mesmo que, é lobo disfarçado de capuchinho vermelho.
Estamos perante um Governo que se preocupa bastante com a sua imagem. Construída pelos seus membros e pelos objectores de consciência, pelos comentadores, pelos media. Daí se percebe a afronta e o controlo que imprimem no dia-a-dia sobre o sector da comunicação social, desde o simples jornalista às administrações dos grupos proprietários da imprensa e, incredulamente, até mesmo sobre a Alta Autoridade para a Comunicação Social. Membros do governo - ministros - exercem com rudeza uma forte pressão sobre o sector e, embora criticados pela incivilidade de tal postura e pela falta de sentido democrático, permanecem de pedra e cal no seu posto.
Permitam-me concluir que não se trata de ministros, mas sim oficiais da censura.


Victor Santos
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Estarei acordado?

Céptico, faço braço-de-ferro entre o sonho e a realidade. Mazelo os membros e permaneço incrédulo.


Tenho os braços cheios de hematomas que eu próprio desenhei. Não são resultado de qualquer ritual sado-masoquista, mas objecto da acção que resulta das sucessivas e necessárias acções de estímulo para o espertar, ou confirmar o estado de vigília, e que exerço sempre que, segurando a pele dos braços, faço convergir o polegar e o indicador.
Não obtenho prazer na criação nem no uso daqueles tumores sanguíneos que causo pela ruptura de vasos, por efeito de traumatismo. Mas faço-o por necessidade de obter sentida confirmação de que permaneço acordado e de que aquilo que ouço, leio e vejo é, apesar de insólito e deplorável, uma verdade. A realidade.
A responsabilidade da maior parte da minha zona 'hematomaica' é deste governo que (des)governa o nosso país e que foi nomeado a título de sorteio, num qualquer momento de menor lucidez presidencial.
Na reacção à convergência 'falangélica' e após o sucessivo espásmico e eléctrico salto, às vezes pergunto-me se o sistema político português assenta mesmo numa Democracia; se ainda existe Liberdade e se os cravos de Abril têm sido regados. Entendo que era necessário dizer aos concidadãos nascidos no pós-Abril de 1974 que antes, antes da Revolução, a Liberdade e os valores da Democracia não eram vividos. Mas, seria mesmo necessário deixar a abordagem teórica e passar às aulas práticas?
Volta Cavaco, estás perdoado!


Victor Santos
vics@sapo.pt

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