Ao menos que sejamos tão egocêntricos como Louis XIV, soberbos como José Mourinho, tão distantes quanto Aníbal Cavaco Silva, arrogantes ao nível de Alberto João Jardim, racistas no registo de Adolf Hitler, reconheceremos e elegeremos, sempre, de entre os nossos pares, o líder, o rosto, o homem do leme.
Na análise crítica, humilde, honesta e sincera, de quem faz parte da coisa, tem consciência disso, do contexto, da responsabilidade, da legitimidade, das necessidades e do rumo a seguir, cada um e todos saberão e deverão tomar as decisões mais sensatas, adequadas e as consideradas melhores.
Em todos os momentos da vida, e a cada dia que passa, construímos imagens, avaliamos, elegemos, elevamos homens e mulheres, nossos pares, em vários domínios, decorrente do seu carácter, atitudes, comportamentos. É moroso esse processo de reconhecimento, porquanto somos tão cruéis quanto vesgos, pois as boas acções quase não damos conta delas e um simples pé fora do risco assume-se como uma tatuagem inapagável.
Talvez por isso só demos conta do valor, da competência, da singularidade de alguns nossos pares quando já escalaram muito e estão lá em cima. De imediato procuramos perceber como é que tal sucedeu sem que nos tivéssemos apercebido. Analisamos pela rama e se num momento ou noutro identificamos a ascensão a pulso, então é matemático: idolatramo-lo.
Mas esse estado não é definitivo. Antes do derradeiro e definitivo carimbo de ídolo, fica-se exposto, fica-se na montra, aos olhos de todos; e ai de um ínfimo desafino. Um pingo pode ser uma nódoa e se o líquido for ácido sulfúrico então, então é o fim.
Creio que Dr. Fernando Nobre protagoniza um pouco deste ‘cogitanço’ meu – tem uma folha de serviços notável no âmbito da medicina, da solidariedade, da cidadania; foi percorrendo esse caminho sinuoso imaterialista colocando o enfoque no outro, no mais desprotegido, e nós, nós não nos apercebíamos desses notáveis actos; depois, depois entrou noutra área, a política, todos aqueles feitos imergiram e foram, naturalmente, reconhecidos e muito valorizados; mas na primeira curva e no primeiro pisar de berma ficou debaixo de olho; afinal não era a primeira vez que aparecia associado à política, já o fizera noutras ocasiões e noutras áreas partidárias; estivera ao lado dos vitoriosos ou do mediatismo; bem assim conseguiu a consolidação da imagem superando esses quês; recentemente pisou falso quando defraudou muitos que o julgavam apartidário e sem interesses pessoais; afinal não era verdade o que dissera quanto ao afastamento dos partidos e da não-ambição de cargos políticos; afinal, não tendo conseguido ser presidente quer ser o que o substitui nas ausências e impedimentos; pior, hoje vem também a público que na AMI onde fizera um trabalho profícuo, foi introduzindo toda a família e familiares destes, num total de cerca de 60 pessoas, faltarão apenas duas filhas menores de idade, que ainda estudam; enfim…
Politicamente arrisca-se a eclipsar-se; como obreiro da solidariedade, da cidadania, arrisca-se a sujar a folha de serviços.
Creio que o urologista contraiu uracrasia e não tem melhoras.
Outro caso de reflexão seria também sobre o carácter de um líder de um partido que não tendo ainda sido aprovadas as listas de candidatos e nem estes terem sido eleitos deputados já estava a prometer ou a designar o presidente dos deputados. Esse tempo das nomeações desses cargos já ficou para trás.
O eurodeputado português Miguel Portas faz uma breve, clara e indiscutível análise crítica ao líder do maior partido da oposição representada no parlamento português, sublinhando o carácter, as motivações e a agenda de Passos Coelho. «O farsolas e o pote». Imperdível!
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